terça-feira, 21 de junho de 2011

Será que há alguma coisa a pensar? ... ou reproduzimos a passividade no frémito do combate a uma luta sem saida contra as contas públicas?

Enquanto por cá, o 1º dia de trabalhos parlamentares, após as legislativas do passado dia 5, se passou, inutilmente!, a tentar eleger para o cargo de segunda figura do Estado, alguém que era considerado inadequado por praticamente todos os parlamentares (excepção feita aos que quiserem apoiar a "palavra dada" pelo líder do PSD que daqui a umas horas será, de facto, Primeiro-Ministro do Governo de Portugal), num contexto económico de grande complexidade e urgência, o debate, na Europa a que pertencemos, tem como centro das suas preocupações, a sustentabilidade do Euro e a correlação de forças entre, por um lado, os equilíbrios político-financeiros e, por outro lado, as imagens manipuladamente construidas pela especulaçao dos mercados (que concorrem para que se invoque uma potencial dissolução do modelo europeu inspirado no ideário da Europa Social até se legitimar como "inevitável" a institucionalização da "Europa a duas velocidades" - a que são, para já!, potenciais candidatos a Grécia, a Irlanda, Portugal, a Espanha, a Itália e a Bélgica... contudo, o facto é que nos encontramos perante a emergência de uma bipolaridade simultaneamente interessante como estudo de caso e muito perigosa como possibilidade social e socio-económica: a implosão dos ditos governos socialistas, "de esquerda"(?), a ascensão massiva dos governos de direita por todos os Estados-Membros e as respectivas manifestações de rua que proliferam em toda a UE, revelando cidadãos que denotam uma consciência cívica e política que não pode continuar a ser ignorada ou minimizada, em nome da estratégia mediática com que os mercados jogam o seu poder:


... a questão é saber até quando os discursos políticos continuarão a esgotar-se em alianças com os interesses anónimos dos mercados de que dependem todos os fluxos financeiros e até quando estará a política disposta a sujeitar-se à "alta finança" ao invés de cumprir o seu dever social de, efectivamente!, alterar as regras da regulação económica. ... Afinal, o que acontece é que está mesmo tudo "em jogo" e todos se esquivam a pensar -quanto mais a dizer e partilhar!- o que todos sabemos inevitável: a mudança radical de paradigma - que, quanto mais persistir na sua inflexibilidade, mais contribuirá para radicalizar e extremar discursos e comportamentos, corporativos e colectivos... tem a Europa condições objectivas e subjectivas de resiliência e resistência suficiente para o futuro cujo presente está a construir?... A resposta parece óbvia mas é, de facto!, o que dá verdadeiramente a pensar... com urgência!.. com muita, muita urgência!

2 comentários:

  1. "até quando estará a política disposta a sujeitar-se à "alta finança" ao invés de cumprir o seu dever social de, efectivamente!, alterar as regras da regulação económica." Este é o ponto. Tudo o resto são pequenas sujidades na espuma dos dias e, quanto a este ponto, nada será feito estou certo e o futuro dos cidadãos da Europa, ela a duas velocidades, vai ficar parado. Abraço.

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  2. Há muito para pensar e agir. A "esquerda europeia", desde Blair, tem estado em permanente deriva. Precisa de se reencontrar em lugar próprio e diferente dos caminhos que a direita neoliberal privilegia.
    Na UE, em fase de destruição do Estado Social, as vozes da rua avolumam-se.
    Com a profusão do desemprego e das desigualdades sociais, a sociedade actual, estrturada à medida dos interesses do capitalismo financeiro, há-de sair derrotada. É necessário acreditar e lutar.
    Um abraço,
    Carlos Fonseca

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